sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Fim de ano!!


Queridos alunos,
Final de mais um período, um novo ciclo que começa para aqueles que estão se formando agora, o primeiro passo na reta final do internato para outros. 
A vocês desejo que os projetos sejam sempre grandiosos, mesmo que pequenos, mesmo que cotidianos e que tenham o brilho e o encanto das grandes conquistas.
De presente de Natal,  transcrevo um dos textos mais tocantes que já li, de um dos meus escritores favoritos, um dos meus livros de cabeçeira...
Aproveitem sempre todos os momentos e não deixem de olhar para o céu...
Nos vemos de novo no ano que vem!!
Monica

As cidades e o céu

Quando se chega a Tecla, pouco se vê da cidade, escondida atrás dos tapumes, das defesas de pano, dos andaimes, das armaduras metálicas, das pontes de madeira suspensas por cabos ou apoiadas em cavaletes, das escadas de cordas, dos fardos de juta. À pergunta: Por que a construção de Tecla prolonga-se por tanto tempo?, os habitantes, sem deixar de içar baldes, de baixar cabos de ferro, de mover longos pinçéis para cima e para baixo, respondem:
- Para que não comece a destruição. – E, questionados se temem que após a retirada dos andaimes a cidade comece a desmoronar e a despedaçar-se, acrescentam rapidamente, sussurrando: -Não só a cidade.
Se, insatisfeito com as respostas, alguém espia através dos cercados, vê guindastes, armações que revestem outras armações, traves que escoram outras traves.
- Qual é o sentido de tanta construção? – pergunta. –Qual é o objetivo de uma cidade em construção senão uma cidade? Onde está o plano que vocês seguem, o projeto?
            - Mostraremos assim que terminar a jornada de trabalho; agora não podemos ser interrompidos – respodem.
            O trabalho cessa ao pôr-do-sol. A noite cai sobre os canteiros de obras. É uma noite estrelada.
            - Eis o projeto – dizem.

Ítalo Calvino
As cidades invisíveis